Pressa, ansiedade, impaciência
Sabe aqueles momentos na vida em que você está prestes a cruzar o ponto de não retorno? Muita expectativa. Difícil controlar a ansiedade nestas horas. Espero dar boas notícias num futuro não muito distante. Novos projetos no horizonte. Por enquanto, vou me inspirando cada vez mais nos mestres da rua.
Saí pra fotografar outro dia e me deparei com esta cena. Puro instinto! Composição apressada para momentos que não podem esperar…
O legado de Vivian Maier
Pense em todas as fotos que você já tirou. Pense todo o trabalho de uma vida, guardado, nunca revelado. John Maloof, pesquisando para um livro de história que estava escrevendo, descobre num leilão de móveis e antigüidades em Chicago, caixas e mais caixas de fotos e negativos médio formato. Tudo sem nenhum nome, nada que pudesse identificar que as fez. Fotografias do cotidiano, “street photography” como é mais conhecido. Fico imaginando o que ele próprio ficou se perguntando: Quem é essa fotógrafa? Por onde anda? Quem são essas pessoas? Por que fotografá-las? Segundo seu próprio relato, John sequer entendia direito a idéia “street photography” quando adquiriu as caixas com as fotos. O trabalho dela acabou por inspirá-lo a fotografar. Aos poucos, ele começou a entrar mais no acervo e a realmente enxergar ali o trabalho talentoso de uma fotógrafa até então desconhecida.
Pelo que relata, John encontrou mais de 100.000 negativos na coleção. Perto de 20 a 30 mil, não estavam nem revelados, mantidos nos rolos do jeito que saíram da câmera. Só encontrou o nome da fotógrafa, Vivian Maier, num envelope de laboratório. Só para descobrir, numa pesquisa no Google, o nome dela num obituário de uns dias antes.
Esta história, que já é incrível só pelos elementos misteriosos que a cercam, fica ainda mais cativante quando você percebe a enorme sensibilidade do trabalho de Vivian. Algumas fotos são realmente muito bonitas, carregadas de emoção. O cotidiano, a beleza nas coisas simples. O retrato do viver.
Pelo o que se sabe, Vivian Maier era uma pessoa só, sem muitos amigos. Tinha um sotaque francês e trabalhava como babá. Nos dias de folga estava sempre com sua câmera (uma Twin lens reflex, acho que era uma Rollei). Escorregou no gelo e bateu a cabeça. Faleceu pouco tempo depois, em 2009.
Em entrevista para o programa “Chicago Tonight” do canal WTTW, o repórter faz uma pergunta interessante sobre o legado de Vivian descoberto por John Maloof e a possível fortuna que isto representa:
http://vivianmaier.blogspot.com/2010/12/chicago-tonight-on-vivian-maier.html
(tradução livre)
“Está bem claro que Vivian era uma pessoa bastante reservada. Como você acha que ela se sentiria se soubesse que o seu trabalho tenha ficado tão público?”
Numa de várias fitas cassete gravadas por Vivian (uma espécie de blog?), ela dá uma boa dica do que ela gostaria que fizessem depois:
“Bem, eu imagino que nada deva durar para sempre. Nós temos que dar espaço para outras pessoas. É uma roda. Você continua, você tem que levar até o fim. Então, alguém tem a mesma oportunidade para continuar até o fim e assim por diante… e mais alguém toma o seu lugar”.
A história de Vivian me faz lembrar de uma citação de Paul Strand que li no livro de Michael Busselle.
“Para todos aqueles realmente capazes de ver, uma fotografia tirada por você representa um testemunho de sua existência”.
Vivian, onde quer que esteja, saiba que a sua história me cativou, me emocionou. O seu trabalho ainda inspirará gerações de outros fotógrafos como eu.
Link para o blog de John Maloof dedicado à Vivian Maier:
Diários da Luz Sublime
Com certeza este é um dos livros mais bacanas sobre fotografia e iluminação já lançados. Tem uma leitura bem leve e agradável, fugindo bastante do estilo sisudo de outros livros da categoria. Como o próprio nome indica, trata-se de um diário, um relato pessoal, quase como se o próprio Joe estivesse com você e outros fotógrafos numa sessão de slides. Diários da luz sublime: usando pequenos flashes para conseguir grandes fotos, de Joe McNally, é a cara dos novos tempos na fotografia, com câmeras digitais e usando flashes compactos. Seu diálogo é simples, ágil e divertido, exatamente como é fotografar usando as técnicas que ele comenta em seu livro.
Os Diários da luz sublime: usando pequenos flashes para conseguir grandes fotos
Autor: Joe McNally
No Brasil pela editora Alta Books
ISBN 978-85-7608-245-3
Título original: The hot shoe diaries


